Por que nos sentimos sós a dois? A raiz oculta dos desencontros amorosos
- Heitor G. Fagundes

- há 5 dias
- 3 min de leitura
Ele quer resolver o problema, ela quer trocar afeto. Entenda como a nossa formação cultural cria um abismo silencioso na relação e o que é preciso para construir uma ponte real.
Uma das queixas mais frequentes e dolorosas no consultório é a sensação de solidão acompanhada. É o casal que se ama, divide a vida, mas que, diante de um conflito ou de uma necessidade emocional, parece habitar planetas diferentes.
Muitas vezes, achamos que o problema é falta de amor ou incompatibilidade de gênios. Mas, na verdade, existe uma camada mais profunda e invisível atuando: a nossa formação cultural e psíquica.
Para quem busca profundidade e autoconhecimento, é essencial olhar para além da superfície das brigas e entender o "script" que nos foi entregue muito antes de entrarmos em um relacionamento.
O Peso da Formação Cultural no Homem
Via de regra — e aqui fazemos uma generalização didática para entender o padrão —, o homem foi culturalmente treinado para o pragmatismo. A mensagem social que o masculino recebe desde cedo é clara: diante de uma emoção ou vulnerabilidade, abafe e resolva.
O homem aprendeu a ir para a luta, a prover, a consertar o que está quebrado. Quando ele traz esse "software" para o relacionamento, a intenção dele é boa. Ele ouve uma queixa e imediatamente saca sua caixa de ferramentas: "O que eu faço para resolver isso? Como eu pago essa conta? Qual ação eu tomo?"
A Expectativa da Mulher
Do outro lado, a formação cultural da mulher em relação à vida emocional foi, historicamente, mais permissiva quanto à troca. A mulher foi ensinada e autorizada a sentir, a conversar com a amiga, a desabafar, a criar laços através da vulnerabilidade.
Quando ela chega no relacionamento, a expectativa dela não é, necessariamente, que o parceiro resolva o problema. Ela espera a troca. Ela quer que ele sinta com ela, que ele escute, que haja uma conexão emocional.
O Abismo das Expectativas Frustradas
É aqui que o desencontro acontece.
A mulher se sente sozinha porque, quando busca conexão, recebe soluções práticas e frias. Ela sente que não está sendo ouvida ou sentida.
O homem se sente perdido e inadequado, pois, mesmo tentando "resolver" e fazer tudo certo, percebe que a parceira continua insatisfeita.
Ambos se sentem sós. Ambos estão operando conforme foram ensinados, mas a conta não fecha.
O Caminho de Volta: Autonomia Emocional
Isso não é "bom" nem "ruim", é apenas o cenário dado. O desafio — e a beleza do amadurecimento a dois — está em ambos os lados darem um passo em direção ao desconhecido.
Para o Homem: O convite é aprender que você não precisa virar outra pessoa, mas pode dar um pequeno passo para dentro. Em vez de apenas fazer, que tal aprender a sentir? Investigar o seu próprio mundo emocional é libertador e tira o peso de ter que ser o herói que resolve tudo o tempo todo.
Para a Mulher: O convite é a sustentação. Muitas vezes, a mulher projeta no parceiro a obrigação de acolher todas as suas emoções. E se você aprendesse a sustentar o que sente? E se aprendesse a dialogar consigo mesma, retirando do outro a exigência de preencher todos os seus espaços?
Quando a Exigência Cai, o Encontro Acontece
É um movimento sutil, que exige coragem e, muitas vezes, ajuda profissional. Mas a recompensa é imensa.
Quando o homem para de tentar mecanicamente "consertar" a mulher, e a mulher para de exigir que o homem seja a sua "amiga" ou o seu "salvador emocional", as cobranças e confusões diminuem. O ar fica mais leve.
E é nesse espaço vazio de cobranças que o verdadeiro encontro, aquele profundo e genuíno que tanto buscamos, finalmente pode acontecer.
Você sente que seu relacionamento está preso nesse ciclo de expectativas desencontradas? Entre em contato que posso ajudar.







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