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A vida não segue o nosso roteiro

Existem dores que não fazem barulho.

Elas não chegam de repente.

Não costumam chamar atenção.

Apenas permanecem ali, como uma nuvem fina que acompanha os dias.


Às vezes aparece como ansiedade.

Às vezes como uma tristeza difícil de explicar.

Outras vezes como a sensação de que a vida nunca é exatamente como deveria ser.

E seguimos em frente, tentando mudar as circunstâncias, esperando que algo lá fora finalmente resolva esse desconforto.


Mas talvez a origem dessa dor esteja em outro lugar.

Quando somos crianças, o mundo ainda é grande demais para ser compreendido.

Vivemos perdas. Decepções.

Momentos em que nos sentimos inseguros ou sozinhos.

E então fazemos o melhor que podemos sendo crianças.

Criamos explicações.

Pequenas verdades para nos proteger.


Sem perceber, passamos a acreditar que a vida precisa ser de um determinado jeito para que possamos ficar bem.

Que as pessoas precisam agir de determinada maneira.

Que os acontecimentos precisam seguir um certo caminho.

Que o amor, a segurança e a felicidade dependem de condições específicas.

E passamos a esperar isso da vida.


Mas a vida continua sendo vida.

Ela muda. Surpreende.

Traz sol e traz nuvens.

E toda vez que ela não corresponde às nossas exigências silenciosas, uma antiga dor desperta novamente.


Talvez por isso algumas lutas pareçam nunca terminar.

Não porque a vida esteja contra nós.

Mas porque uma parte de nós ainda está tentando encontrar, no mundo, algo que só pode ser encontrado dentro.


A verdadeira liberdade começa quando enxergamos isso.

Quando deixamos de lutar contra cada curva do caminho.

Quando paramos de exigir que a vida siga nossos planos e aprendemos, pouco a pouco, a caminhar com ela.


Não é uma rendição.

É uma confiança nova.

Como um rio que deixa de resistir às margens e descobre que sua força não está em controlar o caminho, mas em continuar fluindo.

E talvez seja nesse momento que o peso começa a diminuir.

Não porque todos os problemas desapareceram.

Mas porque já não precisamos carregar, sozinhos, os antigos medos que um dia criamos para nos proteger.


Baseado na Palestra Pathwork 041 – Imagens: O Dano que Causam



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