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Marcelo e sua relação com Deus

Marcelo tinha uma relação curiosa com Deus: ele lembrava Dele principalmente quando o Wi-Fi caía, quando o trânsito parava completamente ou quando o boleto chegava.


— Meu Deus… — dizia, olhando para o teto. — Por quê?


Fora esses momentos espiritualmente intensos, Marcelo estava muito ocupado buscando felicidade de formas mais práticas: reconhecimento no trabalho, curtidas nas redes sociais e, se possível, um aumento de salário que justificasse tudo isso.


Numa quinta-feira particularmente confusa, três coisas aconteceram: seu chefe criticou um relatório, sua namorada disse que ele andava distante e o aplicativo do banco mostrou um saldo que parecia uma piada de mau gosto.


Marcelo chegou em casa com aquela sensação clássica de que o universo tinha decidido implicar com ele pessoalmente.


Sentou no sofá, suspirou e disse ao teto:


— Ok, Deus… se o Senhor estiver disponível, acho que precisamos conversar.

Silêncio.


Depois de alguns minutos, lembrou-se de algo que tinha lido numa palestra de Eva Broch Pierrakos sobre fazer uma revisão do dia. A ideia era simples: olhar honestamente para o que aconteceu e observar as próprias reações.


Marcelo achou que não custava tentar. Pegou um caderno qualquer — na verdade era um bloco de notas do mercado — e escreveu no topo: “Revisão espiritual do dia”.

Começou pelo trabalho.


“Chefe criticou relatório.”


Primeira reação que ele tinha tido: indignação. Segunda: vontade de provar que o chefe estava errado. Terceira: passar o resto do dia reclamando mentalmente.

Parou um momento.


Se fosse honesto… talvez o relatório estivesse mesmo meio apressado.

Ele escreveu: “Talvez eu tenha feito rápido demais porque queria terminar logo.”


Passou para a conversa com a namorada.

Ela disse que ele parecia distante. Na hora ele respondeu que estava “focado em objetivos maiores”.


Agora, olhando para trás, percebeu que estava tão preocupado em parecer bem-sucedido que mal tinha escutado o que ela estava dizendo.


Anotou: “Talvez eu esteja tentando provar valor o tempo todo.”


Por fim, o saldo bancário.


Aqui ele queria culpar exclusivamente o destino, a economia global e, se necessário, a posição de Mercúrio. Mas, sendo honesto… tinha comprado três coisas online que definitivamente não eram essenciais.


Marcelo fechou o caderno e ficou olhando para a parede.


Algo estranho tinha acontecido.


Pela primeira vez naquele dia, ele não estava irritado com o mundo. Estava apenas… entendendo um pouco melhor a si mesmo.


De repente percebeu que passava grande parte da vida buscando segurança em dinheiro, reconhecimento e aprovação. E quando essas coisas falhavam — como inevitavelmente falhavam — ele se sentia perdido.


Talvez, pensou, a paz que ele procurava não estivesse exatamente nessas coisas.

Na noite seguinte, Marcelo fez outra revisão. Depois outra. Algumas vezes eram cinco minutos, outras vezes quinze. Às vezes descobria algo bonito em si mesmo. Outras vezes descobria algo meio ridículo.


Mas, pouco a pouco, começou a perceber seus medos, suas pressas, suas pequenas vaidades e também seus desejos sinceros de viver melhor.


Curiosamente, quanto mais ele olhava para dentro com honestidade, menos precisava reclamar com o teto.


E quando voltava a falar com Deus, a conversa ficava diferente. Menos dramática. Mais… íntima.


Como se, de algum jeito silencioso, aquela conversa sempre tivesse começado dentro dele.

No final das contas, Marcelo descobriu algo surpreendente: a vida não tinha ficado mais fácil.


Mas tinha ficado muito mais compreensível.


E, estranhamente, isso já trazia uma paz enorme.


Inspirado na palestra Pathwork 28, sobre encontrar Deus dentro de si através da auto-observação e da revisão diária da própria vida.

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