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Henrique e o seu “azar inexplicável”

Henrique tinha uma teoria muito bem construída sobre a vida:

— Algumas pessoas têm sorte. Outras… têm uma espécie de perseguição cósmica.

Ele, evidentemente, fazia parte do segundo grupo.


Se perdia um ônibus, era porque o universo conspirava. Se um relacionamento não dava certo, era porque “as pessoas estavam estranhas ultimamente”. Se surgia um problema no trabalho, era pura injustiça.


— Não faz sentido — dizia ele, com convicção. — Parece aleatório.

E, de fato, olhando de fora, até parecia.


Até que, numa semana particularmente “azarada”, três coisas aconteceram quase em sequência: um projeto importante deu errado, uma amizade ficou estranha e ele recebeu um feedback no trabalho que o deixou profundamente irritado.


Naquela noite, jogado no sofá, Henrique fez o ritual habitual:

— Ok, universo, qual é o problema comigo?


Silêncio.


Depois de alguns minutos, veio um pensamento meio inconveniente:

— E se… não for o universo?

Henrique torceu o nariz.

— Claro que é o universo.

Mas a ideia não foi embora.


No dia seguinte, ainda meio contrariado, decidiu fazer algo diferente: em vez de apenas reclamar dos acontecimentos, começou a observar um padrão.


Percebeu que evitava conversas difíceis até que elas virassem problemas maiores.Que deixava coisas importantes para depois — até que viravam urgentes.Que, no fundo, tinha um certo medo de se posicionar… e depois se frustrava quando não era reconhecido.

Henrique ficou em silêncio.


Aquilo não combinava muito com a teoria do “azar aleatório”.

Nos dias seguintes, algo curioso começou a acontecer.

Cada situação difícil parecia… familiar.

Como se tivesse um “tom” repetido.


Ele começou a se perguntar:

— Por que isso aparece de novo?— O que isso tem a ver comigo?


As respostas não vieram de uma vez. Mas, pouco a pouco, foi percebendo que muitas das situações que chamava de “injustas” tocavam exatamente nos pontos que ele evitava olhar.

Responsabilidade.Exposição.Compromisso real.


Era desconfortável admitir.

Mas também era… intrigante.

— E se isso não for punição… — pensou ele — e sim algum tipo de oportunidade muito mal disfarçada?


Henrique riu sozinho.

— Se for, poderiam disfarçar melhor.


Mesmo assim, decidiu testar uma nova postura.

Quando surgiu outro desafio no trabalho, em vez de reclamar, tentou se posicionar com mais clareza. Quando uma conversa difícil apareceu, não fugiu imediatamente.


Não foi perfeito.

Mas foi diferente.


E, surpreendentemente, a sensação interna também mudou.

Ele começou a sentir menos revolta… e mais participação.

Como se, de alguma forma, não estivesse apenas sendo levado pelos acontecimentos — mas fazendo parte de algo mais coerente.


Meses depois, olhando para trás, Henrique percebeu algo curioso:

A vida não tinha ficado mais fácil.

Mas tinha deixado de parecer aleatória.


Havia uma espécie de lógica — não externa, mas interna.Como se cada situação estivesse, de algum jeito, apontando para algo que ele precisava desenvolver.


E, pela primeira vez, pensou:

— Talvez eu não esteja aqui por acaso nenhum.


A ideia era estranha.

Mas também… fazia sentido.

E, curiosamente, isso mudou tudo.

Inspirado na palestra Pathwork 34 — sobre compreender que a vida atual foi preparada com propósito, e que desafios fazem parte do desenvolvimento da alma.

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