Irritabilidade na Menopausa: Uma Reação Química ou Emocional?
- Vanessa Cardoso
- 11 de ago.
- 3 min de leitura

Irritabilidade de Ordem Primária: A Química por Trás do Mau Humor
Quando falamos que a irritabilidade pode ser de ordem primária, estamos nos referindo ao desencadeamento sintomático direto. Ou seja, quando ocorre uma ação no corpo (alteração hormonal) que gera um sinal (irritabilidade). A menopausa é caracterizada por uma queda acentuada nos níveis de estrogênio, um hormônio feminino fundamental. Essa diminuição impacta diretamente a produção de outros hormônios e neurotransmissores essenciais para o nosso bem-estar.
Como aponta a literatura da área da saúde, "a diminuição de estrogênio que ocorre durante a menopausa provoca níveis mais baixos de serotonina". A serotonina, conhecida como o "hormônio da felicidade", é um neurotransmissor que transmite impulsos nervosos do cérebro para o corpo. "Baixos níveis de serotonina podem causar depressão, baixo consumo de energia, a falta de libido e distúrbios do sono. Porque altos níveis de serotonina criam a sensação de prazer, a falta dela pode criar uma falta de prazer", o que se traduz em um estado de irritabilidade e impaciência.
Além da serotonina, os níveis de hormônios da tireoide também estão intimamente associados ao estrogênio e podem diminuir durante a menopausa. Quando os níveis da tireoide estão reduzidos, os de serotonina também podem cair, intensificando a sensação de irritabilidade. Portanto, a irritabilidade de ordem primária é uma resposta bioquímica direta às flutuações hormonais que ocorrem no corpo da mulher.
Irritabilidade de Ordem Secundária: Uma Reação em Cadeia
Por outro lado, denominamos uma irritabilidade de ordem secundária quando ocorre uma ação corporal (alteração hormonal) que gera um sinal (como ressecamento vaginal ou ondas de calor), que por sua vez desencadeia um sinal de ordem secundária (a irritabilidade). Neste caso, a irritabilidade não é a consequência direta da alteração hormonal, mas sim uma reação ao desconforto físico e emocional causado por outros sintomas da menopausa.
O fato de a mulher sofrer com o ressecamento vaginal, por exemplo, pode deixá-la irritada pela dor e pelo impacto em sua vida sexual. As ondas de calor e os suores noturnos que interrompem o sono levam à exaustão, e uma pessoa cronicamente cansada tende a ser mais irritável. A insônia, a dificuldade de concentração e a sensação de perda de controle sobre o próprio corpo são outros fatores que contribuem para um estado de estresse e impaciência.
Alguns estudiosos do desenvolvimento da mulher acreditam que a irritabilidade é muito mais um sintoma desencadeado de um sinal primário, portanto, uma resposta secundária, do que propriamente uma resposta primária. É crucial reconhecer que, embora "a irritabilidade seja frequentemente a queixa principal das mulheres na perimenopausa e na pós-menopausa, estudos específicos que pesquisam sobre a irritabilidade nessas mulheres são escassos", o que reforça a necessidade de mais atenção e pesquisa sobre o tema.
O Papel da Psicologia e Estratégias de Enfrentamento
Independentemente de sua origem, primária ou secundária, a irritabilidade na menopausa precisa ser acolhida e gerenciada. A psicologia oferece ferramentas valiosas para lidar com esse desafio. A terapia pode ajudar a mulher a compreender as mudanças que está vivenciando, a desenvolver estratégias de regulação emocional e a melhorar a comunicação em seus relacionamentos.
Além do acompanhamento psicológico, algumas práticas podem ser incorporadas no dia a dia para aliviar a irritabilidade:
Atividade física regular: Exercícios liberam endorfinas, que têm um efeito analgésico e promovem o bem-estar.
Alimentação balanceada: Uma dieta rica em fitoestrógenos, vitaminas e minerais podem ajudar a equilibrar os hormônios.
Técnicas de relaxamento: Meditação, ioga e respiração profunda são eficazes para reduzir o estresse e a ansiedade.
Higiene do sono: Estabelecer uma rotina para dormir e acordar pode melhorar a qualidade do sono e diminuir o cansaço.
Busca por informação: Entender o que está acontecendo com o corpo pode diminuir a sensação de descontrole e ansiedade.
É fundamental que a mulher na menopausa se sinta à vontade para conversar com seu médico sobre a irritabilidade e outros sintomas. Em alguns casos, a terapia de reposição hormonal pode ser uma opção a ser considerada.
Em suma, a irritabilidade na menopausa é um fenômeno complexo, com raízes tanto biológicas quanto psicológicas. Reconhecer suas diferentes origens é o primeiro passo para encontrar as estratégias mais eficazes para lidar com ela, permitindo que a mulher atravesse essa fase de transição com mais serenidade e qualidade de vida.
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