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O Eixo Estresse-Estrogênio: Como Acalmar a Tempestade da Menopausa, segundo a Neurocientista Lisa Mosconi

O Eixo Estresse-Estrogênio: Como Acalmar a Tempestade da Menopausa, Segundo a Neurocientista Lisa Mosconi
O Eixo Estresse-Estrogênio: Como Acalmar a Tempestade da Menopausa, Segundo a Neurocientista Lisa Mosconi

A transição para a menopausa é uma jornada complexa, marcada por uma sinfonia de mudanças hormonais que podem deixar muitas mulheres se sentindo irreconhecíveis em seus próprios corpos e mentes. Ondas de calor, névoa mental, insônia e ansiedade são apenas alguns dos maestros dessa orquestra desafinadora. Mas, e se um dos principais gatilhos que intensificam essa cacofonia for algo que permeia a vida moderna? Segundo a renomada neurocientista e diretora da Women's Brain Initiative, Dra. Lisa Mosconi, o estresse crônico é um fator crucial que interfere diretamente com o estrogênio, potencializando os desafios da menopausa.


Em suas pesquisas e comunicações, incluindo seu popular TED Talk, a Dra. Mosconi ilumina a profunda conexão entre o cérebro feminino e os hormônios. Ela explica que muitos dos sintomas que associamos à menopausa não começam nos ovários, mas sim no cérebro, o centro de comando do nosso corpo. E é nesse centro de comando que a batalha entre o estrogênio e o cortisol, o hormônio do estresse, é travada.


A Gangorra Hormonal: Quando o Estrogênio Cai, o Cortisol Sobe


O estrogênio é muito mais do que um hormônio reprodutivo; é uma molécula poderosa que atua como um maestro para a saúde cerebral feminina. Ele é fundamental para a produção de energia nas células cerebrais, para a regulação do humor e para a manutenção da temperatura corporal.


Durante a perimenopausa e a menopausa, os níveis de estrogênio começam a flutuar e, eventualmente, a diminuir drasticamente. Essa queda, por si só, já coloca o cérebro em um estado de "estresse energético". Como a Dra. Mosconi descreve, o estrogênio ajuda os neurônios a queimar glicose para produzir energia. Com menos estrogênio, a capacidade do cérebro de gerar energia é reduzida, o que pode levar a sintomas como fadiga mental e a temida "névoa cerebral".


É aqui que o estresse entra em cena e agrava a situação. Quando estamos sob estresse crônico, nosso corpo libera continuamente cortisol. O problema é que o corpo prioriza a produção de cortisol em detrimento de outros hormônios, incluindo os precursores do estrogênio.


Pense nisso como um desvio de recursos. Se o corpo está constantemente em modo de "luta ou fuga", ele direcionará toda a sua energia para a produção do hormônio que acredita ser essencial para a sobrevivência imediata (cortisol), deixando a produção de hormônios reprodutivos e de bem-estar em segundo plano. Essa dinâmica cria uma gangorra perigosa: à medida que o estrogênio cai, os níveis de cortisol tendem a subir, e o estresse crônico acelera essa queda e amplifica seus efeitos.


O Impacto do Estresse nos Sintomas da Menopausa


Essa interação entre a queda de estrogênio e o aumento do cortisol pode intensificar diretamente os sintomas mais comuns da menopausa:

  • Ondas de Calor e Suores Noturnos: A Dra. Mosconi explica que as ondas de calor têm origem no hipotálamo, o termostato do cérebro, que é rico em receptores de estrogênio. A queda de estrogênio desregula essa área. Pesquisas mostram que as ondas de calor estão, de fato, associadas a picos nos níveis de cortisol, o que explica por que momentos de estresse podem desencadear uma onda de calor.

  • Ansiedade e Alterações de Humor: O estrogênio tem um efeito calmante no cérebro, em parte por influenciar a produção de serotonina e dopamina. Com menos estrogênio, a amígdala – o centro emocional do cérebro – pode se tornar mais reativa. Adicione a isso o cortisol, que nos deixa em estado de alerta máximo, e o resultado é um aumento da ansiedade, irritabilidade e uma sensação de estar constantemente no limite.

  • Névoa Mental e Esquecimento: A dificuldade de concentração e os lapsos de memória são queixas frequentes. O hipocampo, crucial para a memória, também depende do estrogênio para funcionar de forma otimizada. O estresse crônico e o excesso de cortisol são conhecidos por prejudicar a função do hipocampo, tornando a combinação com a baixa de estrogênio particularmente desafiadora para a clareza mental.


Retomando o Controle: As Recomendações de Lisa Mosconi


A boa notícia, segundo a Dra. Mosconi, é que não estamos à mercê dessa tempestade hormonal. Ao gerenciar o estresse, podemos ajudar a equilibrar a gangorra e suavizar a transição da menopausa. Suas recomendações se concentram em um estilo de vida que apoia a saúde cerebral:

  1. Nutrição para o Cérebro: Adote uma dieta rica em fitoestrogênios, compostos vegetais que podem exercer um efeito semelhante ao estrogênio no corpo. Alimentos como linhaça, grão de bico, soja (especialmente fermentada como o tempeh) e vegetais crucíferos são excelentes escolhas. Uma dieta no estilo mediterrâneo, rica em antioxidantes, gorduras saudáveis e vegetais, é fundamental para combater a inflamação exacerbada pelo estresse.

  2. Exercício Físico Regular: A atividade física é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o cortisol e melhorar a sensibilidade à insulina, o que ajuda na energia cerebral. A Dra. Mosconi enfatiza uma combinação de exercícios cardiovasculares e treinamento de força.

  3. Práticas de Atenção Plena e Relaxamento: Técnicas como mindfulness, meditação, yoga e pilates são poderosas aliadas. Elas não apenas acalmam o sistema nervoso no momento, mas também treinam o cérebro para ser menos reativo ao estresse a longo prazo, ajudando a manter os níveis de cortisol sob controle.

  4. Priorize o Sono: A falta de sono aumenta os níveis de cortisol. Criar uma rotina de sono relaxante e garantir de 7 a 8 horas de descanso por noite é crucial para permitir que o cérebro e o corpo se recuperem e se regulem.


A mensagem de Lisa Mosconi é clara e empoderadora: a menopausa não é uma doença, mas uma transição neurológica. Ao compreendermos a profunda interação entre nossos hormônios e nosso estilo de vida – especialmente a forma como gerenciamos o estresse – podemos fornecer ao nosso cérebro o suporte de que ele necessita para navegar por essa fase não apenas com menos dificuldades, mas com mais vitalidade e clareza mental.


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