Laura tentando resolver tudo sozinha (de novo)
- Heitor G. Fagundes

- há 3 dias
- 2 min de leitura
Laura era extremamente competente.
Ela resolvia problemas, organizava situações, ajudava pessoas, antecipava crises… e, se possível, ainda fazia tudo isso com um leve sorriso de “está tudo sob controle”.
E, na maior parte do tempo, estava mesmo.
O pequeno detalhe é que Laura fazia isso sozinha.
Sempre.
Naquela semana, porém, a vida decidiu colaborar de uma forma… educativa.
O trabalho acumulou. Uma questão familiar surgiu de repente. E, para completar, ela começou a se sentir estranhamente cansada — não exatamente física, mas como se estivesse carregando algo invisível.
Mesmo assim, seguiu firme.
— Eu dou conta — disse, pela terceira vez naquele dia, para si mesma.
Na quinta-feira à noite, sentada à mesa com mil coisas abertas ao mesmo tempo, ela percebeu que não estava conseguindo pensar direito.
Tentou mais um pouco.
Depois mais um pouco.
Até que, pela primeira vez em muito tempo, parou.
Ficou ali, em silêncio.
Sem resolver. Sem organizar. Sem antecipar.
Só… parou.
E, no meio desse silêncio meio desconfortável, surgiu uma pergunta simples — quase tímida:
— Por que eu nunca… peço ajuda?
Laura franziu levemente a testa.
Ajuda… de quem?
Das pessoas? Talvez. Mas não era só isso.
Havia algo mais profundo ali. Algo que ela raramente considerava.
Ela suspirou.
— Ok… — murmurou, meio sem jeito — se existe algo maior… talvez eu possa… falar?
A frase saiu meio desajeitada. Sem formalidade, sem certeza, sem técnica.
Mas foi sincera.
E algo dentro dela suavizou.
Não aconteceu nenhum milagre visível. Nenhuma resposta imediata, nenhuma solução mágica.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, Laura não estava tentando segurar tudo sozinha.
Nos dias seguintes, começou a repetir isso — às vezes em palavras, às vezes apenas como uma intenção silenciosa:
— Eu não preciso carregar tudo sozinha.
Curiosamente, isso começou a mudar pequenas coisas.
Ela passou a pedir ajuda em situações simples.Parou de tentar controlar cada detalhe.E, principalmente, começou a criar pequenos momentos de pausa — não para pensar mais, mas para se conectar com algo além da sua própria mente.
Às vezes era só um minuto de silêncio.Outras vezes, uma conversa interna sem roteiro.
E, pouco a pouco, percebeu algo inesperado:
Não era que a vida tivesse ficado mais fácil.
Mas ela já não se sentia sozinha dentro dela.
Havia uma espécie de apoio silencioso — não visível, não mensurável, mas presente.
E isso mudava a forma como ela atravessava as coisas.
Laura continuava sendo competente, claro.
Mas agora havia uma diferença sutil — e profunda:
Ela já não precisava ser a única responsável por tudo.
E, curiosamente, foi justamente quando parou de tentar sustentar o mundo sozinha… que começou a se sentir realmente sustentada.
Inspirado na palestra Pathwork 35 — sobre voltar-se para Deus com sinceridade, desenvolvendo uma relação interior de confiança, entrega e conexão real.




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