O curioso caminho em espiral de Mariana
- Heitor G. Fagundes

- 5 de mai.
- 2 min de leitura
Mariana tinha uma sensação persistente de estar… parada.
Não completamente — ela trabalhava, pagava contas, até conseguia se organizar — mas, quando o assunto era crescer financeiramente, algo travava.
As oportunidades não fluíam. As ideias não avançavam. E, sempre que parecia que algo ia dar certo… emperrava.
— Eu devo estar fazendo algo errado — dizia, abrindo mais um vídeo sobre “mentalidade de sucesso”.
Tentou de tudo um pouco.
Planilhas detalhadas.Cursos online.Afirmações positivas ditas com convicção estratégica.
Mas, curiosamente, quanto mais tentava “resolver”, mais surgia uma sensação estranha por dentro.
Insegurança. Medo.
Uma leve tensão toda vez que pensava em ganhar mais… ou se expor mais.
— Isso não faz sentido — pensava.
— Eu quero crescer… então por que parece tão difícil?
Quase desistiu.
Mas algo dentro dela — talvez uma curiosidade incômoda — sugeriu:
— E se o problema não estiver fora?
Mariana suspirou.
— Lá vamos nós…
Mesmo assim, decidiu observar.
Não só o que fazia… mas o que sentia.
E foi aí que as coisas começaram a ficar interessantes.
Percebeu que, sempre que surgia uma oportunidade maior, vinha junto um medo silencioso:“E se eu não der conta?”
Quando pensava em ganhar mais dinheiro, aparecia outro:“E se eu perder tudo depois?”
E, mais fundo ainda, quase escondido, havia algo ainda mais delicado:“E se eu me tornar alguém que eu não reconheço?”
Mariana ficou quieta.
Aquilo não estava nos cursos.
Era desconfortável.
Mas, ao invés de fugir, ela ficou.
Sentiu. Observou. Continuou.
No começo, não viu mudança nenhuma
— Estou andando em círculos — disse, frustrada.
Mas, com o tempo, percebeu algo sutil.
As situações eram parecidas… mas ela não reagia exatamente igual.
Antes, evitava completamente certos riscos.
Agora, considerava — mesmo com medo.
Antes, travava.
Agora, às vezes dava pequenos passos.
— Talvez… não seja um círculo — pensou. — Talvez seja uma espiral.
A ideia ficou.
E, pouco a pouco, tudo começou a fazer mais sentido.
Os mesmos temas voltavam — mas mais profundos.
Os mesmos medos surgiam — mas ela os atravessava um pouco mais.
As mesmas dúvidas apareciam — mas já não a paralisavam tanto.
Até que, num momento simples, algo se revelou.
Ela percebeu um padrão central.
Uma espécie de núcleo que estava por trás de tudo:
“Se eu crescer, eu vou perder o controle… e isso não é seguro.”
Mariana ficou em silêncio.
Aquilo explicava muito mais do que finanças.
Explicava suas escolhas, suas travas, sua forma de agir — e de evitar.
Era como encontrar o eixo invisível de tudo aquilo.
E, curiosamente, ao enxergar isso… algo se abriu.
Não resolveu tudo de imediato.
Mas trouxe clareza.
Ela entendeu que seu “bloqueio financeiro” não era apenas externo.
Era um caminho interno — cheio de barreiras que ela mesma precisava atravessar.
E que não adiantava fugir dos medos.
Era preciso ir até o fim deles.
Mariana continuou.
Ainda com dúvidas.Ainda com desafios.
Mas agora com uma diferença essencial:
Ela não estava mais tentando forçar um resultado.
Estava construindo, passo a passo, um caminho real dentro de si.
E, pela primeira vez, teve a sensação de que não estava parada.
Estava, na verdade… se movendo em profundidade.
Inspirado na palestra Pathwork 36 — sobre atravessar medos, compreender o movimento em espiral do crescimento e encontrar o núcleo central que estrutura nossos bloqueios.




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